A primeira rosa

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Talvez eu te deva um pedido de desculpas. É que eu ainda não consigo ser meio termo, posso ir de um extremo a outro mas nunca paro no meio. E esse é o motivo pelo qual não consigo negar um empréstimo, e não sei fingir que passou, que nem doeu tanto. A verdade é que eu ainda guardo a primeira rosa que você me deu. Ela murchou, suas pétalas estão secas, a mesma falta de umidade que acometeu a rosa também atingiu o que sinto por você. Antigamente era belo mas hoje é feio assim como a rosa murcha dentro do caderno velho. A pesar de tudo, ainda é sutil como tudo o que gosto. É também feio, triste. A rosa agora significa a esperança que murchou. Aí me lembro de como fui imaginativa, que metade das lições na bagagem que trago são provenientes de coisas que não vivi. Em pensar que quase tive tudo. No meio do desespero declarava aquilo que pensava ser amor só porque era meigo, doce e terno. 
É que eu não sei ser assim, não consigo mudar o alvo do meu amor em um mês. Aprendi que apenas uma pessoa deveria ouvir esta palavra da minha boca, caso contrário tiraria toda a pompa desse sentimento. Hoje isso tudo veio por água abaixo porque amor seca, perde a elegância e vira rancor. E é estranho me convencer de que ainda posso amar novamente, a rosa não deixa ela me lembra que isso vai contra tudo o que sempre acreditei. Se ao menos tivesse coragem de jogá-la no lixo, mas não, acho ela uma boa recordação, uma boa lição também, quem sabe uma história pra contar aos netos um dia. 
Eu sempre vou olhar pra rosa e vou lembrar de como fui boba ao apelidá-lo carinhosamente, infelizmente eu acreditava em tudo o que dizia. Mas por incrível que pareça, a rosa que me lembra, também é a rosa que me faz esquecer...












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2 Comentários para A primeira rosa

16 de outubro de 2011 11:33

Estou com um tom de êxtase dps da leitura. Se eu achasse esse texto no meu caderno de anotações não teria dúvida de que o tinha escrito.
Tenho um poema intitulado "Pétalas, Talos e Espinhos", cujo verso final diz: "pois aquilo que nos faz feliz/paradoxalmente/nos faz sentir dor." - A rosa: perfuma e perfura.
Mas o amor é renovável, se deságua em outros rios e paixões, até encontrar a margem que lhe acolhe e lhe abraça...
Beijo, Bianca.

Anônimo
2 de junho de 2015 06:21

Me sinto exatamente como você se sentiu (sente). Infelizmente a inconstância das pessoas nos tornam irredutíveis a novos amores. Eu sei da sua história, Bianca, sei exatamente ao que você se refere com esse texto...
Bom mesmo é saber que você está curada, certamente logo eu também estarei!

Bjos e felicidades

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