Eleanor Rigby

0 comentários




Havia muita coisa a se perguntar embora nada de concreto para esperar. E na falta de alguma coisa mais interessante a se fazer, continuava a se perguntar. Perguntava-se sobre tudo e encontrava na imaginação  todas as respostas que lhe convinha. Ficava assim, satisfeita com a vida, mesmo tendo a certeza de que os motivos que lhe deixava tão satisfeita eram apenas meras ilusões. Ainda assim, era mesmo melhor se satisfazer em vez de se martirizar. 

Todas as vezes que olhava pela janela a rua. Todas aquelas pessoas vivendo... A certeza de que a felicidade alcança até um moribundo. A certeza de que a felicidade nunca a alcançaria. Voltava aquela antiga sensação de que a vida passava enquanto continuava ali, parada imaginando como as coisas seriam se não houvessem todos os empecilhos existentes. Mas mesmo tendo frustrações era preciso lutar, agarrar-se a qualquer fio de vida existente. E chorando lembrava-se de todas aquelas palavras: "você tem toda uma vida pela frente". E chorando esfregava o chão. Por um segundo utilizava todas as suas forças. A verdade era por vezes confundida com  sujeira. Era preciso eliminá-la a qualquer custo. 

O que fazer quando não há nada a se fazer? Conformar-se talvez mas a consciência nunca a deixaria em paz, não sabendo que nem ao mesmo conseguiria repetir a história de seus pais. O ser humano nasce, cresce, reproduz e morre... Vinha a tona todas aquelas antigas lições. De fato, as vidas sempre são repetições umas das outras. Diferenças milimétricas são o que as diferenciam. Mas para aqueles cujo o mundo não parece belo a insignificância e anormalidade são os acompanhantes mais fiéis. Odiava tudo aquilo com todas as suas forças, sentia ânsia, e depois sentia ódio de si mesma por repugnar aquelas pessoas a quem tanto devia. 

Era preciso pensar pra não agir e agir pra não pensar. Pensar pra não fazer besteiras. Como se viver já não fosse optar por fazer besteiras involuntárias. Era preciso pensar em alguma coisa. Por mais sórdido que esse pensamento fosse lhe traria um pouco de paz. Seu corpo tornara-se um campo de batalhas. "É possível que se resigne o viver apenas pelo medo da morte?"  Não era mais uma questão de honra vingar-se de Deus. Ia ao inferno e voltava logo em seguida. 






"No one was saved"
















...
Se você gostou desse post, compartilhe!
Digg it StumbleUpon del.icio.us Google Yahoo! reddit

Nenhum comentário para "Eleanor Rigby"

Postar um comentário