Mironga (Eu não sei)

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Para todos aqueles cuja vida não teve sua ordem alterada eu digo que existem pessoas que vivem com aparente ânimo embora carreguem no peito uma grande tristeza. Eu conheci poucas pessoas assim, mas pude notar algumas semelhanças entre elas. A principal semelhança é a capacidade de descobrir tal característica a partir do olhar. Toda vez que pessoas desse grupo se descobrem, sentem uma sensação de conforto incrível e não é necessário trocar uma única palavra para que tal sensação apareça. 

O que chamo de tristeza aqui é uma espécie de fardo que não permite a pessoa olhar outra, que não seja desse grupo, e se sentir igual. Não falo de preconceito, doença mental ou física e nem mesmo de pertencer a um grupo excluído da sociedade, falo do fardo que vejo nas costas de algumas pessoas. Se você não carrega esse fardo, nunca será capaz de entender o que ele é. 

Recentemente conheci um homem assim, desde que percebi essa característica venho analisando suas atitudes e ele tem chamado minha atenção por conseguir não ligar para isso. Eu demorei bastante tempo pra entender como ele pode fazer de uma coisa tão pesada algo tão leve, o fato é que ele é um ser humano extremamente lindo embora use de quase todas as formas possíveis para se dar bem na vida, no entanto, é muito honesto. Ele consegue esconder sua dor de maneira tão convincente que até outro dia eu achava que o prêmio de melhor fingidor deveria vir para mim. Hoje vejo que fui desbancada e sinto inveja por isso. 

Logo que o conheci eu achava que todas as suas atitudes eram características de alguém cuja capacidade intelectual não conseguiu ultrapassar a de um moleque de 13 anos. Todo o seu discurso baseado em originalidade e individualidade como forma de expressão me pareciam batidos. Desde que conheci um autor que dizia que os seres humanos são quase todos iguais possuindo apenas milimétricas diferenças desacreditei totalmente no discurso da originalidade. Mas o fato é que se isso ainda está presente nos ideais transmitidos aos pré-adolescentes é porque se faz necessário como forma de alienação juvenil, assim como é necessário o ensino das “sete palavrinhas mágicas” as crianças mais novas. Todo mundo sempre esquece ou desacredita nessas coisas depois de algum tempo, mas esse cara não. Ele conseguiu fazer disso uma maneira confortável de viver. 

Ultimamente eu tenho analisado como alguns princípios são descartados ao longo da vida, desde a crença num entidade divina até a necessidade de não pisar no pé do coleguinha. Descobri que para pessoas do grupo em questão, essas crenças nunca morrem. São conservadoras, simples, e de alguma forma religiosas. São muito inteligentes também, não necessariamente pra tirar notas boas, mas sim em sua percepção da vida.  Eu me pergunto por vezes se essas características agravam a situação? Desde que eu comecei a analisar este cara eu vejo que todas as coisas podem ser subvertidas, inclusive o conservadorismo, mas não uso a subversão como algo ruim aqui. O peso simplesmente cabe a quem quer carregá-lo. Se tem uma coisa que ele tá me ensinando, é que é preciso por pouca coisa na mala, que quanto mais leve o peso mais alto o salto. Um dia eu chego lá... 





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1 Comentários para Mironga (Eu não sei)

14 de outubro de 2012 17:26

Texto profundo. A história do fardo é real em seus minims detalhes, o não desacreditar é incrivelmente lindo e sou totalmente adepto desse carregar pouca coisa na mala, tem muito haver com o ser livre. E um dia CHEGAMOS lá \o/

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